domingo, 4 de setembro de 2011

Algumas considerações

Algumas considerações...

            Todos os indicadores que se referem às questões ambientais no planeta que  temos acompanhado nos últimos tempos trazem sempre um olhar alarmista sobre a questão; concordamos que realmente não se pode deixar de pensar e analisar de forma bastante séria esta temática...
            Entretanto algo nos chama muito a atenção: os assuntos/temas quando apresentados em debates, principalmente televisivos, nunca são colocados em uma perspectiva mais ampla ou abrangente. São apresentados de forma fragmentada, estanque, como se ocorressem “desconectados” de todo um conjunto de fatores que explicam/justificam/compõem nossa realidade atual...
            Quando por exemplo acompanhamos em um noticiário no horário nobre, uma “pretensa” reflexão sobre a problemática ambiental atual, discutindo a necessidade de investimentos em políticas que consigam ao menos minimizar os impactos já existentes, percebemos que  tais “debates” esvaziam-se por não associarem os diferentes atores/agentes envolvidos nesta discussão...
            O imenso número de automóveis que abarrotam as ruas das grandes áreas metropolitanas, colaborando imensamente para a emissão de poluentes em escalas assustadoramente elevadas, jamais poderá ser observado/discutido separadamente de propostas/iniciativas/políticas de investimento em transporte público de qualidade e suficientemente disponibilizado para atender as demandas crescentes que surgem nestas regiões.
            Também não é possível discutir tais aspectos deixando de lado as considerações em relação a um setor automobilístico centrado em aprimorar seus resultados finais colocando no mercado globalizado automóveis com preços, design e layout para atender aos sonhos de milhares de compradores espalhados pelo mundo todo, mesmo que seus limitados recursos financeiros não consigam outra realidade a não ser incluí-los nas listas dos financiados pelo capital de grandes corporações financeiras, interessadíssimas nesta fatia crescente da sociedade previamente preparada para ser envolvida neste consumismo...
            Assim também não é possível deixar de pensar nas inúmeras questões ligadas ao uso dos solos; em diferentes regiões, no Brasil como também em outros países, imensas áreas são destinadas ao cultivo de produtos que servirão para atender às demandas por combustíveis, os chamados espaços dos “agrocombustíveis” não se importam se o mercado produtivo de alimentos necessita de áreas para expandir-se: há um negócio, altamente lucrativo que não se iabala com questões desta ordem.
            Ainda se faz necessário um breve alerta em relação aos acordos, protocolos, conselhos constituídos para controlar as emissões de poluentes e outras ações de degradação ambiental. Será que as determinações cobram de quem realmente se deva cobrar? Ou vivemos aqui mais um “jogo de interesses” onde quem tem maior poder aquisitivo/financeiro, menos “satisfação” deve aos demais, que acabam por servi-lo em todos os seus interesses?
            Realmente não é tão simples na atual fase da globalização do  desenvolvimento capitalista pelo qual estamos passando, discutir questões tão sérias que necessitam do compromisso e da responsabilidade de TODOS.
            A temática ambiental está mais do que nunca na ordem do dia!  Mas sua abordagem não pode ser discurso de palanque ou de propostas infundadas, vagas e carentes de várias análises científicas, que auxiliarão na condução de uma reflexão séria, atual, capaz de oferecer elementos para os mais variados contextos.
            Somente assim teremos condições reais de oportunizar à sociedade mundial um modelo organizacional para seu espaço de vivência individual e coletivo, que caminhe o mais próximo possível daquilo que ainda precisamos compreender melhor: uma sustentabilidade que garanta a preservação da espécie humana em níveis de desenvolvimento, respeito, igualdade, acessibilidade  e valorização cada vez maior...
                                                                                                               Elton Madeiras e Rita Araujo

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